segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Poema da semana de 6 a 10 de novembro



Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas. 

                                Miguel Torga, in Diário X, 1966

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Poema da Semana de 30 de outubro a 3 de novembro

Pablo Picasso – “Amistad”
CÂNTICO FRATERNO

Chamo por ti.
Chamo por ti, com versos fraternais.
Nunca te vi,
Mas nascemos dos mesmos pais.

Chamo em nome da vida, que me ordena
Que te diga a verdade;
É o meu lenço que acena,
Mas o cais é de toda a humanidade. (…)

O passado é o passado - já morreu.
Grande é o futuro, por nascer.
Nenhum fruto maduro prometeu                                                               
O que a semente pode prometer. (…)                                                     

Chamo por ti de manso,
Numa ordeira canção;
É uma ponte de sonho que te lanço...
Passa por ela, irmão!

Miguel Torga - Obra Completa: Antologia Poética (Circulo dos Leitores)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Assim é que é!...


Poema da semana de 23 a 27 de outubro



      O Homem que lê.

Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo.

(…)
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo.
(…)
E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa. 

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"

     Outubro
Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Assim é que é....


Poema da semana de16 a 20 de outubro

UM LIVRO É COMO UMA CAIXA

Um livro é como uma caixa
Onde guardamos segredos,
Onde fechamos escondidos
As alegrias e os medos.

Um livro é como uma caixa
Onde tudo tem lugar
Uma aventura, um mistério,
Tudo consegue contar.

Um livro é como uma caixa
Com palavrinhas lá dentro,
Todas juntas, com sentido,
São a voz do pensamento.

Um livro é como uma caixa
Com desenhos e gravuras
Coloridos a carvão,
Dos grandes às miniaturas.

Um livro é como uma caixa
Desperta a curiosidade,
Antes de aberto é desejo,
Depois de lido, saudade.

Um livro é como uma caixa
Nunca perde utilidade,
Se um dia acolhe tristezas,
Noutro exibe a felicidade.

João Francisco Letras Ferreira (8º ano), 2º prémio, 2013
Concurso “Faça lá um Poema


Outubro – Mês Internacional das Bibliotecas Escolares